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#28. Uma ideia de reforma para o futebol brasileiro



Antes de mais nada, peço desculpas às leitoras mais assíduas deste abandonado espaço. Primeiro pela inconstância deste escriba – estou trabalhando para corrigir, prometo -; e segundo por achar que o tema deste post não será muito de seu agrado. Posso estar errado, não sei. Vou falar de calendário para o futebol brasileiro. Caso seja demais para o seu estômago, peço que feche a página agora e aguarde o próximo texto. Vá, não ficarei chateado. Entendo que o tema seja aborrecido, mas resolvi escrever mesmo assim, pois tenho percebido que colocar para fora certas ideias, às vezes um pouco obsessivas, libera espaço para que outras corram soltas pela minha cachola.


No primeiro semestre, com a paralisação das competições de futebol por conta da pandemia do Coronavirus, foi aventada a possibilidade de adequação do calendário brasileiro ao europeu. É um tema já conhecido dos fãs e dos profissionais que trabalham direta ou indiretamente com a bola. Há muitos jogos para os times grandes, poucos para os pequenos; não há pausa nas datas Fifa, o que resulta em jogadores desfalcando os times que pagam seu salário para as convocações de seleções; há pouco tempo de descanso, de férias, e de preparação. Com isso, os resultados esportivos parecem estar aquém do que poderiam ser.


Apesar de todo os impactos que o problema do calendário causa, faz tempo desde que o assunto foi discutido profundamente no meio futebolístico. Em 2013-2014, o movimento Bom Senso F.C., fundado a partir da união de alguns jogadores de prestígio, ameaçou greve, protestou durante algumas rodadas do campeonato brasileiro, escreveu um manifesto, mas viu poucas mudanças de fato acontecerem. À época, o debate se intensificou e estudiosos do tema sugeriram outras formas de organizar o calendário de competições, como no artigo de Luis Felipe Chateaubriand que vai no link: http://www.espn.com.br/blogs/maurocezarpereira/358568_um-calendario-decente-para-o-futebol-brasileiro. Entretanto, o debate acerca do tema parece ter arrefecido nos últimos anos.


Assim que qualquer discussão sobre o calendário brasileiro se inicia, o primeiro argumento que aparece é “os Estaduais precisam acabar”. Ao que ganha voz, logo em seguida, “os Estaduais são tradicionais e importantes, com eles não se mexe”. No Brasil, parece que sempre que se fala em mudar algo, surge um forte impulso para destruir. Acredito, porém, que pode e deve haver uma coexistência entre dois modelos. É possível fortalecer o Brasileiro e os Estaduais, criando um desenho em que eles estejam mais intimamente relacionados. Explico primeiro as premissas e depois o raciocínio para chegar até elas:

a) Campeonato Brasileiro tem apenas as Séries A e B;

b) Os Estaduais ou Regionais dão acesso à Série B do Brasileiro, através de um torneio eliminatório disputado entre os mais bem colocados em seus estados ou regiões, que não estejam na A ou B;

c) Algumas poucas datas são reservadas, na parte final do calendário, para que clubes nas Séries A e B joguem fases finais de Estaduais ou Regionais.


As competições estaduais têm prestígio e charme, são importantes na construção de rivalidades e ajudaram a formar os grandes clubes do país. Por outro lado, o fortalecimento desses clubes, e sua projeção nacional, resultou na criação do campeonato brasileiro de pontos corridos tal como existe hoje. Pode-se argumentar, no entanto, que as Séries C e D do Brasileiro tem menor importância relativa que os Estaduais. Nessa proposta de mudança, os Estaduais - ou Regionais – seriam disputados durante todo o ano, funcionando como qualificatório para um torneio de acesso para a série B. Na parte final da temporada, os clubes de série A e B poderiam disputar algumas poucas datas para definir os campeões dos estados.


Com tal desenho em prática, Estaduais e Regionais ganham força e podem atrair o interesse dos torcedores e, consequentemente, dos patrocinadores. O torneio de acesso à série B seria, possivelmente, muito rentável para clubes médios e pequenos de todo o país. Além disso, os custos dos clubes pequenos ficariam menores disputando competições em suas regiões. Há também a possibilidade dos direitos de transmissão desses campeonatos menores ficarem mais baratos e acessíveis para canais esportivos e players de novas mídias. Seria uma chance de preencher as grades com mais jogos.


O Brasil, com suas dimensões continentais, teria duas Superligas disputadas em pontos corridos, com uma base descentralizada. Seria um movimento parecido com o que Florentino Perez sonha para o futebol europeu, no entanto, mais democrático a meu ver. (https://oglobo.globo.com/esportes/real-madrid-planeja-deixar-la-liga-mudar-futebol-mundial-24122369)


Sei que esses arranjos necessitariam de muitos acertos políticos, dependeriam de CBF e federações Estaduais, mas já que estamos somente no campo das ideias, decidi deixá-las fluírem sem barreiras.


Por fim, um pitaco mais geopolítico. Em um contexto em que a UEFA se fecha cada vez mais em si mesma, a Libertadores da América teria muito a ganhar caso fosse disputada de fato entre todos os clubes das Américas. Incluir EUA e México, sobretudo, aumentaria em muito o mercado de futebol deste lado do Atlântico. Para viabilizar a realização de competições entre clubes tão distantes geograficamente, essa Libertadores vitaminada poderia ser feita em país único, nos moldes de uma Copa do Mundo: 32 participantes, 08 grupos, fase final eliminatória com 16 participantes.


De novo, são só ideias. No entanto, depois que elas ganham o mundo, quem sabe onde vão parar?

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